Amor Romântico

Reavaliando o nosso jeito de amar

O ideal do amor romântico irrompeu na sociedade ocidental durante a Idade média, surgindo pela primeira vez na literatura no mito Tristão e Isolda, depois nos poemas e canções dos trovadores. Era conhecido como “amor cortês” e tinha por modelo o cavaleiro que honrava uma bela dama e fazia dela a sua inspiração, o símbolo de toda a beleza e perfeição, o ideal que o incentivava a ser nobre, espiritualizado, refinado e voltado para assuntos “elevados”. Na nossa época introduzimos o amor cortês nos casamentos e nos relacionamentos sexuais, mas ainda mantemos a crença medieval de que o amor verdadeiro tem de ser a adoração extática de um homem ou de uma mulher que representa para nós a imagem da perfeição.

O amor romântico não significa apenas amar alguém; significa “estar apaixonado”, acreditamos ter encontrado o verdadeiro sentido da vida revelado num outro ser humano. Sentimos que finalmente nos completamos, que encontrtamos as partes que nos faltavam. A vida parece, de repente, ter atingido a plenitude, uma vibração sobre-humana, que nos ergue acima do plano comum da existência. Para nos estes são os sinais seguros do “amor verdadeiro”.

Apesar do êxtase que sentimos quando estamos apaixonados, passamos boa parte do nosso tempo com uma profunda sensação de solidão e frustração causada pela nossa incapacidade de construir relacionamentos afetuosos , baseados em compromissos. Culpamos geralmente os outros por nos terem falhado; não nos ocorre que talvez sejamos nós que precisamos modificar nossas próprias atitudes inconcientes: as expectativas que alimentamos e as exigências que impomos aos nossos relacionamentos e às demais pessoas.

Enxergar realisticamente o amor romântico é uma tarefa heróica. É algo que nos força a ver não apenas a beleza e o potencial contidos no amor romântico, como também as contradições e as ilusões que trazemos conosco ao nível inconsciente.

Se os ocidentais se libertarem da servidão maquinal às suas presunções e expectativas inconscientes, não apenas atingirão uma nova consciência em seus relacionamentos como também uma nova consciência de si próprios.(Robert Johnson)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

…e o amor

O amor é egoista?

Desde o nascimento, quando saimos do ventre materno, inicia-se uma busca incessante pelo outro. Experimentamos uma sensação extremamente agradável e plena com a proximidade, carinhos e afagos dos nossos cuidadores. Com o crescimento passamos a procurar tudo isso no outro e nos tornamos receptivos a quem nos possa dar o que desejamos.

Sobre a possibilidade de o amor ser uma das mais claras manifestações de nosso egoísmo, ou egocentrismo, Nietsche dizia que todos acreditamos querer a pessoa amada e que ao acreditar que a queremos também acreditamos que esta é a solução para todas as nossas necessidades, ou para todas as necessidades de nossos sentimentos.

Essa hipótese pode ser mais bem exemplificada quando se diz que “te amo porque você é uma maravilha (e, evidentemente, quero regalar-me com essa maravilha)”. Obviamente, em seguida existe a colocação que “te necessito, eu te quero”. Ou, conforme podem dizer as pessoas mais apaixonadas; “não posso mais viver sem você”.

Em tudo isso, o ponto de referência continua sendo a pessoa que ama, seu bem estar emocional, sua satisfação em estar perto da pessoa amada, o conforto afetivo de se saber amada. É como se a pessoa amasse primeiro a si mesma e, para atender a esse auto-amor, necessitasse “ter” a pessoa amada para si.

Falando de amor

Afinal, o que é o amor?

Há séculos a humanidade vem exaltando o amor como todos nos conhecemos,  em prosa e verso de forma muito sublime e agradável.  

O amor aparece nas mais diversas áreas do pensamento humano, da poesia à imagem funcional cerebral, da mitologia à patologia, da razão para o prazer . Mas cada um sabe exatamente como está sentindo seu amor, ou lamentando a falta dele, se regozijando ou sofrendo com ele, explicando que tipo de amor é o seu, reclamando reciprocidade, exigindo cumplicidade ou ocultando o amor proibido. Talvez a única certeza que podemos ter em relação ao amor é que sobre ele não temos nenhum controle.

Nietzsche, grande filósofo alemão do século XIX, escreveu que “a maior parte da filosofia foi inventada para acomodar nossos sentimentos às circunstâncias adversas, mas tanto as circunstâncias adversas como nossos pensamentos são efêmeros”, deduzindo, então, que os sentimentos não são. O amor é um desses sentimentos que devem ser tratados pela filosofia, principalmente porque ele parece transcender a realidade.

Acreditava, Nietzsche, que o amor chega quando se tenta desejar o bem em sua totalidade para algo. Dizia que quando amamos juntamos todas as melhores propriedades das coisas mais maravilhosas e perfeitas do mundo, e consideramos similares ao objeto amado. Com afirmações desse tipo, estapafúrdias, concluí-se que o sentimento do amor pode distorcer a representação da realidade, pode afastar a pessoa da realidade compartilhada pela maioria, tal como se tratasse de idéias supervalorizadas ou uma certa obsessão. 

Sempre se distinguiram dois ou mais “tipos” de amor. Platão foi o primeiro a comentar sobre isso, em o “Banquete”, definindo o “Amor Autêntico”, como aquele que liberta o indivíduo do sofrimento e conduz sua alma ao banquete divino, em distinção do “Amor Possessivo”, o qual persegue o outro como um objeto a devorar, possuir e sufocar. 

Para Kant,  somente o “amor-ação” é o verdadeiro amor altruísta e aceitável, uma vez que se manifesta com preocupação verdadeira e desinteressada pelo bem estar do outro, da pessoa amada. Em contra-partida, falava no “amor-paixão”, egoísta e impossível de se controlar, voltado aos interesses próprios, manifestando o desatino e desprezo pelo outro. Na idéia de Kant, o amor paixão tende a satisfazer muito mais quem ama do que quem é amado (Clement, 1997).

Alguns autores mais recentes acham que a atenção, carinho, zelo e cuidados em relação à pessoa amada devem ser esperados em qualquer relacionamento amoroso saudável e, por saudável, devemos entender o relacionamento que jamais proporcionará sofrimento, seja da pessoa que ama seja de quem é amado (Simon, 1982 e Fisher, 1990).  

Alguns dizem que o amor é uma forte inclinação da alma para um objeto ou pessoa. Mas essa afirmação foge do critério científico, já que nesse campo nem se sabe com certeza se a alma existe.

Ideologia

Ideologia, preciso de uma pra viver.

Depois de 30 anos (que completarão em dezembro) como médica, estou sentindo um tédio imenso na minha profissão. Como pediatra então… Não estou mais tão comovida com as lamúrias diárias dos pais: “meu filho não dorme. Meu filho não come. Meu filho está sempre gripado”. Até com problemas socias temos que conviver: “tenho que trabalhar e não tenho com quem deixar meu filho, preciso de atestado, atestado, atestado!”.

Meu filho, meu filho, meu filho, meu filho!!!

Acho que preciso ter outras atividades, outras motivações.

Sou hiperativa e não posso me acomodar.

Acho que chegou a hora, tenho que arregaçar as mangas e ir à luta. Embora no momento, eu esteja  sem rumo…

Vaidade

Pensei que nunca faria e fiz!

Cá estou eu , depois de alguns dias de môlho, retornando à vida de CARA NOVA.

“As feias que me perdoem mas beleza é fundamental” (poetinha).

Nunca fui feia mas  quando passaram a me chamar de “BONITONA”…, disse a min mesma que precisava urgentemente a voltar a ser referida como Bonita .

Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador  tem que passar além da dor. (F. Pessoa)

A dor se foi, o Bojador também e alma eu bem sei que é grande, muito grande…

Sempre me surpreendia no espelho perguntando: quem é esta velha me olhando?

Agora apenas me admiro. Um pouco de narcisismo nesta altura da vida eu acho é ótimo. Afinal meio século já se foi!

Não estou BONITA, estou LINDA! (de cara e alma)

Encontros casuais

Ontem, assistindo a um grograma na TV, no qual discutiam O Dia Seguinte, fiquei surpresa ao ver algumas colocações de jovens a respeito do dia que se segue ao encontro “amoroso” ( intercurso sexual).

Uma jovem disse que com relação ao sexo da noite anterior : se for bom a gente conta e se for ruim a gente espalha.

A relação sexual como um ato de desnudamento do corpo e da alma e a dois, não deveria interessar a mais ninguém, somente ao casal.

Como fica o respeito humano? O sigilo, a privacidade, o momento divino do amor, o sacramento do prazer, onde se encaixam?

Agora é só um ato mecânico? O afeto onde está?

Apego não existe mesmo um pelo outro, já que acabaram de se conhecer e apego só adquire com a convivência.

Talvez seja por isso que hoje os jovens dificilmente conseguem relações estáveis e estão sempre infelizes  a procura de alguma coisa que perderam e que com este novo modelo de comportamento jamais irão resgatar.

DIA DAS MÃES

(Um dia frio, um bom lugar para ler um livro.

E o pensamento lá em você, eu sem você não vivo.)

                              Nem um dia. Djavan.

Outono

A exposição aos microorganismos que nós médicos sofremos é absurdamente grande. Por mais que tomamos os devidos cuidados, não tem jeito, acabamos sendo alvos fáceis deles. Fico sempre muito chateada quando fico doente, principalmente estas viroses  que não temos muito o que fazer. É que desde ontem estou com uma delas, e pior, com um comprometimento horrivel da laringe , que me deixou completamente afônica. Trabalhar assim é terrível. E ainda por cima, tem sempre aquele engraçadinho ou engraçadinha que diz assim: ” Dra, a senhora também fica doente?”, ou ” Dra, a senhora deveria ficar em casa para se tratar!”. Sou humana? Ou os outros é que estão certos em não nos qualificar como tal? Construir a “pessoa médica ” para nós memos e para os outros, é fruto de uma laboriosa formatação, que envolve nossas idéias, sentidos, sentimentos e até nossa postura corporal. É assim que nos fazemos para a sociedade. Mas é bem verdade, que vez ou outra saímos dessa organização toda e resgatamos aquele serzinho que está lá, bem guardadinho, que não é médico, que não é doutor, mas que é humano. É o moleque, é a criança, sem armadura, sem casca, descontruído e livre, sem o qual não vivemos.

FECHADA PARA BALANÇO

Depois de looongo período, cá estou eu e minhas reflexões.

Tenho vivido tão intensamente nos últimos tempos ( no lazer e no trabalho) que não tenho tido tempo nem para pensar na vidinha. Nestes tempos de dengue e que coincide também com o aumento de outras viroses, haja trabalho!

Não gosto muito de ficar pensando no passado. Não há nada de bom lá. Mas não estamos livres de viver situações que nos remetam ao que já ficou para trás. É interessante o que está acontecendo comigo. Passei a ver estas  situações de uma forma muito particular. Sinto tudo tão distante e com uma imparcialidade tão grande que fico até assustada. Será que fiquei mesmo tão imune a algumas vivências que agora passei a ter uma percepção como se estivesse analisando tudo de fora?  Não sei, talvez seja mesmo um mecanismo de defesa, uma grande barreira, uma muralha contra qualquer veículo que possa gerar sentimentos indesejáveis. 

A vida é assim. É assim que vou escrevendo minha estória…

Familia

A sociedade glorifica a família e recomenda, enfaticamente, que o amor aos pais deve ser sempre incondicional. Dos pais aos filhos, o amor deve ser obrigatório, entre os irmãos o amor deve ser compromissado, como um pacto de fraternidade e, finalmente, entre os pais, o amor deve ser bastante teatralizado.

Talvez a questão toda decorra da incansável busca do ser humano, pelo equilíbrio entre aquilo que é desejável e aquilo que é possível ou, melhor ainda, talvez decorra do distanciamento, lamento e mágoa das pessoas diante das situações possíveis, reais e concretas, tomando como parâmetro exclusivo de felicidade aquilo que seria desejável.

Considerando essas curiosas observações,  da família poder fazer mal, tanto por sua presença quanto por sua ausência, podemos estar cometendo um engano grosseiro ao procurar, exclusivamente na dinâmica familiar, as responsabilidades pelos estados emocionais e pela tonalidade afetiva das pessoas.

Talvez o cerne do problema esteja na pessoa e não na família. Ou, talvez a família ou a falta dela desencadeiem reações não-normais em pessoas previamente susceptíveis.

Portanto, muito além da estrutura familiar, as atitudes de seus membros são determinantes para o bem estar geral. Para isso os membros devem compreender a realidade da família e, compreender a realidade da família, significa estabelecer limites entre o possível e o ideal, entre como gostaríamos que fosse e como é de fato, entre o que pode ser mudado e o que é desse jeito. Algumas coisas dependem do destino, algumas outras das pessoas…

« Older entries